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Investimentos em inovação esbarram em restrição de crédito para PMEs

Empresas de menor porte enfrentam dificuldade para implementar projetos por falta de capital e avanços na oferta de financiamento ainda dependem de maior abertura do sistema financeiro.

As pequenas e médias empresas da indústria brasileira devem seguir com dificuldades para investir em inovação diante da restrição de oferta de crédito. Para especialistas, o avanço nos financiamentos depende da abertura do sistema financeiro.

“O que deve promover a liberação de crédito é a abertura comercial para outras bandeiras entrarem no Brasil”, avalia o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Guto Ferreira.

Em 2018, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 452 milhões em projetos de inovação para indústria de transformação, sendo R$ 112,8 milhões para micro, pequenas e médias. O número é inferior ao de 2017, quando foram liberados 136,2 milhões para empresas de menor porte.

Ferreira conta que, em 2018, a busca por crédito foi mais direcionada à inovação de processos. “É diferente de produtos. As empresas buscaram dinheiro para aperfeiçoar e atualizar seus processos”, esclarece.

Ele avalia que a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia está procurando destravar e facilitar o acesso ao crédito. “Não é incentivar deixando mais barato, mas mexendo nos processos macros para que os juros sejam justos para a situação econômica, assim, trazendo confiança para o empresário investir.”

Como exemplo, Guto cita que não existia regulação no BNDES para financiamento de startups. “É considerado um empréstimo de alto risco, mas pode gerar uma economia bilionária, dependendo do acerto. O banco está se atualizando nessa área.”

Ele entende que essas iniciativas devem gerar mudanças que serão percebidas no segundo semestre do ano, podendo impactar os bancos públicos. “As instituições privadas acabam esperando um pouco o movimento do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal”, explica. “A atual política do governo tem como princípio não interferir nos negócios privados. O que deve se buscar é a abertura do sistema financeiro, que é muito concentrado no País.”

O gerente sênior da Deloitte Brasil, Martin Seefelder, entende que a indústria brasileira está no processo de descobrir e experimentar novas tecnologias, mas a maior parte esbarra na falta de escala para implementação. “É um fator limitante. Algumas empresas ainda estão sofrendo com o resultado da crise e sem recursos para conseguir investir.”

Seefelder explica que, mesmo quando uma solução traz redução de custos e aumento de produtividade, boa parte das empresas não consegue arcar com o aporte inicial. “O orçamento limitado não permite uma expansão.” Assim, muitas empresas estão investindo em automação para aumentar sua produtividade dentro do dimensionamento atual. “Em vez de contratar novas pessoas, se investe em automação para crescimento sem expandir a capacidade instalada”, diz Seefelder.

Ele destaca a importância de se dar atenção aos processos, não só à tecnologia. “Não adianta investir em automação e não pensar na governança. A empresa não vai conseguir e escalar e sair do piloto.”

O professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV), Maurício Canêdo, um dos autores de um estudo sobre competitividade industrial no Brasil, conta que o cenário encontrado é de empresas em diferentes níveis de desenvolvimento tecnológico. “Há aquelas que estão na fronteira tecnológica convivendo com outras que fazem inovações muito básicas e, muitas vezes, nem isso.”

O estudo concentrou-se em cinco setores industriais no Brasil: celulose e papel, petróleo e gás, etanol, aço e mineração. Dentro de cada um, foram examinadas empresas de tamanhos variados que, conjuntamente, representam cerca de 80% do setor em termos de produção e faturamento.

O estudo detalha, entre outras coisas, que a indústria brasileira de mineração tem desenvolvido capacidades tecnológicas a ponto de gerar inovações em escala mundial, capazes de mover essa fronteira tecnológica internacional e de alavancar sua competitividade no País.

Canêdo destaca que uma das principais dificuldades encontradas pelas empresas está na implementação dos processos de inovação.

“Para ter inovação, é preciso ter um fluxo de informação entre os setores da empresa, não envolve só pesquisa e desenvolvimento. Não é possível fazer inovação de maneira isolada.” Ele revela que a pesquisa mostra casos de diferenças de nível de inovação dentro de uma mesma empresa. “A área de inovação de processo é mais avançado do que produtos em algumas empresas e o oposto ocorre em outras”, complementa.

Fonte: DCI


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