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Glossário do empreendedor: o que é picking

Quando bem feito, processo de coletar e separar produtos em armazéns pode diminuir o tempo de entrega do pedido e evitar trocas de itens nas vendas online.

Lembra do Google Glass, óculos super tecnológico que prometia acessar e-mail, mapas e uma infinidade de aplicativos à frente dos olhos, mas que fracassou? O projeto foi descontinuado em 2015 (mas há rumores que ele pode voltar em breve).

No entanto, outro óculos inteligente já está disponível para varejistas americanos. Desenvolvido pela Intel, o Recon Jet utiliza a tecnologia de realidade aumentada para projetar informações sobre produtos, mapas e ordem de serviços para facilitar o trabalho de funcionários responsáveis por selecionar e montar pedidos em estoques.

A ideia é que o funcionário saiba exatamente onde está e no que consiste cada item do armazém, sem a necessidade de consultar pranchetas, tablets ou outros dispositivos de mão.

Num teste realizado pela Intel, o tempo de separação de produtos em estoque caiu em 15% no primeiro dia. Em um mês, a redução chegou a 29%.

Em logística, essa atividade é chamada de picking –processo que consiste em coletar, separar e montar pedidos de compras, principalmente no e-commerce.

Um picking bem feito é essencial para aumentar a agilidade na entrega do pedido e evitar erros, como troca de produtos.

De acordo com uma pesquisa da Manhattan Associates, consultoria americana especializada em omnichannel, 63% dos consumidores já desistiram de uma compra online após ter conhecimento do tempo de entrega.

O levantamento identificou que a expectativa em relação ao tempo de espera é diferente para cada tipo de produto. Em pedidos com itens grandes, como refrigeradores, sofás e camas, 42,7% dos compradores estão dispostos a esperar mais de uma semana.

O índice cai para 26,8% quando se trata de produtos de menor volume, como livros e roupas.

A alternativa, então, é dar prazos curtos, beirando o impossível?

Não. Entregas atrasadas e perdidas destroem o relacionamento com o cliente. Tanto é que 57% dos entrevistados não voltaram a comprar após uma entrega atrasada.

ORGANIZAÇÃO

O picking é baseado em pessoas, equipamentos, tecnologia e, principalmente, processos.

Há três tipos de processos mais utilizados:

  • Discreto ou por pedido. Os produtos são coletados um a um até que todo pedido seja montado. O operador utiliza um carrinho e vai recolhendo os itens nas prateleiras do armazém. É indicado para lojas com poucos SKUs (modelos únicos de produtos), mas com vendas em alto volume.
  • Por zona. Cada operador é responsável por uma área do estoque (zona), com cada um montando parte do pedido –e repassando para o operador da área seguinte, num sistema linear que lembra o preparo de lanches do Mc Donald’s. É indicado para lojas com alto número de SKUs e pedidos –em grandes e-commerces, esse sistema utiliza esteiras rolantes. 
  • Por lote. Um operador monta diversos pedidos ao mesmo tempo, transportando várias caixas com um carrinho, em diferentes áreas do estoque. Para ser ágil, é necessário utilizar softwares que conciliam pedidos similares, para que o operador dê menos volta a cada montagem múltipla.

A Amazon popularizou um quarto processo, batizadoo de Onda. Os produtos de todos os pedidos são coletados em todas as zonas e depois separados em pedidos individuais.

Para suportar a alta demanda de datas sazonais do comércio, como Natal, a Amazon criou os robôs Kiva, que movem as prateleiras até próximos aos operadores conforme a demanda de pedidos (veja vídeo abaixo).

EFICIÊNCIA

No estoque, produtos com maior saída podem ser agrupados numa mesma área e próximo do ponto de partida do operador.

Em caso de perecíveis, recomenda-se organizar os produtos de acordo com data de validade (isso evita que os velhos fiquem no fundo da prateleira ou na parte de baixo do palet).

Em todos os casos, é necessário manter o controle de inventário, para mensurar a disponibilidade dos produtos. Há no mercado diversos sistemas especializado em gestão de estoque.

Uma das provedoras dessas tecnologias é a catarinense Senior. Ano passado, a empresa lançou uma tecnologia, que integrada ao sistema de gestão de armazém e um dispositivo Android (como smartphone), que indica por voz endereços, produtos e quantidades que precisam ser coletadas. 

Embora menos futurista que o óculos da Recon Jet, a tecnologia também tem o objetivo de melhorar o processo e deixar os operadores com as mãos livres.

De acordo com dados da empresa, a tecnologia aumenta a eficiência em 25%. Na lista de clientes da Senior estão Magazine Luiza, Netshoes e C&A.

Fonte: Diário do Comércio


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