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Falta de medidas econômicas de curto prazo põe risco ao emprego industrial

A falta de medidas econômicas de curto prazo tem deixado a indústria reticente para investir em aumento de produção. Para analistas, o setor precisa de sinalizações mais concretas do governo federal, sob o risco de agravar ainda mais o nível de mão de obra e a ociosidade das empresas.

“A gestão atual tenta encaminhar problemas estruturais de longo prazo, que de fato precisam ser resolvidos, mas também é necessário um plano mais imediato para reativar a economia e avançar com a recuperação. Se deixar como está, o País terá um ano de recessão”, estima o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Rafael Cagnin.

Na visão dele, o quadro desenhado no primeiro trimestre, com queda da produção industrial disseminada em todos os setores e recuo na utilização da capacidade instalada, mostra que o otimismo em relação ao desempenho da economia não tem muita fundamentação. “Não é uma situação pontual, puxada por apenas um segmento, e que pode ser facilmente revertida nos próximos meses”, destaca.

Cagnin avalia que, ao contrário de anos anteriores, não há nenhuma medida ou conjuntura para dar fôlego à economia. “Fatores como a safra agrícola positiva, liberação do saque do FGTS e bom dinamismo internacional ajudaram a trajetória positiva em 2017, quando a indústria começou a dar sinais de retomada. Desde 2018, essas condições perderam força e nada foi colocado no lugar”, esclarece.

O economista explica que nem a redução da taxa básica de juros trouxe impacto para a retomada do consumo. Ele ainda acredita que o PIB deverá ter crescimento ao final ano, mas sem grande expressividade. “Isso é reforçado por um cenário internacional desafiador. A indústria brasileira precisa de novos investimentos ou corre risco de ficar para trás nesse momento de grande transformação tecnológica.”

Cagnin salienta que a ociosidade elevada não favorece os aportes. “A geração de emprego já esteve pior. Porém, a mão de obra industrial chegou a liderar a recuperação do emprego e agora não é mais assim.”

O professor de economia do Ibmec-SP, Walter Franco, avalia que o desempenho industrial do primeiro trimestre foi pior que o esperado. “Foi uma queda muito forte. A economia ainda está patinando, pedindo sinalização mais clara em termos de política industrial para que sejam feitos os investimentos necessários.”

Ele acredita que o governo precisa fazer uma sinalização mais concreta para que o empresariado invista e contrate. “É necessário um primeiro passo, maior rapidez na aprovação de reformas e processos de privatização. Dada as circunstâncias das contas públicas, é preciso atrair investimentos privados para voltar a gerar empregos.”

O professor de economia e finanças do Ibmec-RJ, Marcelo Mello, aponta que era esperado um resultado industrial negativo, em função da crise da Argentina e da paralisia geral diante da expectativa de aprovação da reforma da Previdência. “Mas foi ainda pior que o imaginado. O Congresso precisa acelerar as reformas. Há muitos investidores estrangeiros esperando para colocar dinheiro no País.”

Dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados na última sexta-feira (03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram queda de 2,2% no acumulado dos três primeiros meses do ano. As quatro grandes categorias econômicas (bens de capital, bens intermediários, bens de consumo duráveis e bens e consumo semiduráveis e não duráveis) tiveram retração.

Na quinta-feira (02), os indicadores de março da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontaram estagnação do emprego industrial e queda de 11,3% do faturamento real da indústria na comparação com o mesmo mês de 2018. A utilização da capacidade instalada atingiu 76,5%, queda anual de 1,8 ponto percentual e o menor patamar registrado desde maio de 2018.

Fonte: Diário do Comércio


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