Black Friday deve movimentar R$ 3,7 bilhões, segundo a CNC

O valor, caso se confirme, representaria um aumento de 6% em relação ao volume movimentado na data em 2019

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a Black Friday de 2020 movimentará R$ 3,74 bilhões, o que resultaria no maior faturamento desde que a data foi incorporada ao calendário do varejo nacional, em 2010.

Confirmada a previsão da CNC, haverá um aumento de 6% em relação a 2019 (R$ 3,67 bilhões) – descontada a inflação, o crescimento real das vendas, em comparação com igual período do ano passado, deverá ser de 1,8%.

O avanço do comércio eletrônico desde o início da pandemia do novo coronavírus é apontado pela Confederação como determinante para que a Black Friday seja a primeira data do varejo a registrar crescimento real neste ano.

“Em 2020, mais do que em qualquer outra edição, a Black Friday deverá expor a diferença de desempenho entre as lojas físicas e as lojas on-line”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Ele projeta avanço real de 61,4% nas vendas exclusivamente on-line, em relação à Black Friday de 2019.

Já as lojas físicas deverão apresentar avanço de apenas 1,1%, em comparação com o ano passado.

Segundo dados da Receita Federal, de março a setembro o faturamento real do e-commerce cresceu 45%, em comparação com igual período de 2019, e a quantidade de pedidos mais que dobrou (+110%).

O segmento de eletroeletrônicos e utilidades domésticas deverá ser o principal destaque entre os ramos que já aderiram à data, com previsão de movimentação financeira de R$ 1,022 bilhão.

Em seguida, deverão sobressair os volumes de receita gerados pelos segmentos de hipermercados e supermercados (R$ 916,9 milhões) e de móveis e eletrodomésticos (R$ 853,4 milhões).

DESCONTOS

De acordo com o estudo da CNC, os produtos com mais chances de desconto efetivo são, em ordem decrescente: consoles de videogame; notebooks; games para PC; calças masculinas; e aspiradores de pó. “Por outro lado, as chances de desconto efetivo em bicicletas e colchões, por exemplo, são mais reduzidas”, aponta Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo.

Para chegar a este resultado, a CNC coletou, diariamente, mais de dois mil preços de produtos ao longo dos últimos 40 dias – encerrados em 15 de novembro.

Pela metodologia da Confederação, um determinado item que apresenta altas expressivas (superiores a 20%, por exemplo) no preço mínimo praticado durante as semanas que antecedem a Black Friday possui baixo potencial de desconto efetivo.

A Black Friday, evento promocional de descontos no varejo que ocorre sempre na última sexta-feira de novembro, sendo já a quinta data mais importante para o setor, atrás de Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.

Fonte: Diário do Comércio

Auxílio emergencial ajuda a controlar a inadimplência

Meses sem faturar, disputa na Justiça para a redução do aluguel, aumento de preços dos fornecedores, desemprego em alta e cliente com medo de ir às compras.

Uma combinação perfeita de fatores para classificar 2020 como um dos piores anos para o varejo na história do país, de acordo com lojistas.

Mas, por mais incrível que possa parecer, em meio ao emaranhado de condições desfavoráveis ao empreendedor e ao consumo, há um indicador positivo.

Para surpresa de muitos economistas, a inadimplência do consumidor está menor do que há um ano, de acordo com dados do Banco Central e de empresas de informações de crédito.

Considerando todas as modalidades de crédito para a pessoa física, a taxa de inadimplência foi de 3,1% em setembro para os atrasos acima de 90 dias. Em setembro de 2019 era de 3,9%.

Para os atrasos entre 15 e 90 dias, a taxa de setembro deste ano é de 2,6%. A do mesmo mês do ano passado, de 3,5%, de acordo com o BC.

Quando o país vive uma crise econômica, geralmente, o pico da inadimplência se dá em um prazo de seis a sete meses, no máximo.

Desta vez, diferentemente do que aconteceu em crises econômicas enfrentadas pelo Brasil, a inadimplência não subiu com a rapidez esperada.

Alguns motivos explicam a boa notícia, ao menos por enquanto, para o comércio.

Bancos e grandes redes postergaram o pagamento de prestações por conta da pandemia do novo coronavírus. Além disso, os brasileiros reduziram a busca por crédito.

O auxílio emergencial oferecido pelo governo às famílias mais carentes também tem segurado a inadimplência com índices até menores do que as do ano passado.

A Boa Vista, empresa de informações de crédito, informa que as taxas de inadimplência dos últimos 12 meses estão de 10% a 20% menores do que as do período imediatamente anterior.

São taxas com atrasos de pagamento acima de 60 dias com bancos, redes de lojas e fornecedores de serviços, como gás, água, energia elétrica e telefone.

“Quem negativa os clientes são os bancos e as empresas, e eles mudaram a política de negativação, jogando 90 a 120 dias para a frente”, diz Flávio Calife, economista da Boa Vista.

Uma inadimplência mais controlada estimula as grandes redes a dar mais prazos de pagamento para os clientes, especialmente num período em que o consumo está represado.

A Renner, por exemplo, está oferecendo 60 dias para o pagamento da primeira parcela nas compras feitas com o cartão da rede, uma forma de estimular as vendas neste final de ano.

Prazos mais longos de pagamento são uma boa opção para elevar o consumo e a receita quando o cliente paga em dia, de acordo com Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

Os meses de outubro, novembro e dezembro, diz ele, não devem revelar grandes mudanças nas taxas de inadimplência. Agora, a partir de janeiro, o cenário pode ser outro.

Além de o consumidor ter os tradicionais compromissos de um início de ano, como o pagamento do IPTU e da matrícula escolar, o auxílio emergencial pode deixar de existir.

O auxílio emergencial tem injetado bilhões de reais por mês na economia, um dinheiro que cai nas mãos de desempregados e que acaba tendo impacto em toda a economia.

De abril a agosto, o auxilio emergencial foi da ordem de R$ 24 bilhões por mês. De setembro a dezembro, este número deve ficar perto de R$ 12 bilhões por mês.

A redução de recursos na economia deverá diminuir o ritmo de consumo e provocar alguma elevação da inadimplência, na avaliação de Silveira.

Alguns setores já apresentam inadimplência elevada, como o das escolas privadas.

Em setembro, o índice foi de 17,72%, de acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo. Em junho, o percentual tinha sido ainda maior, de 23,74%.

“O futuro está muito incerto. O governo pode ou não continuar distribuindo renda. E, se tiver a ajuda financeira, qual será o valor?”, diz Silveira.

Diante de tantas incertezas, o melhor que os lojistas podem fazer é ter cautela na hora de vender a prazo.

“Como a redução da inadimplência parece temporária, é preciso ter avaliação rigorosa na concessão de crédito. As taxas devem voltar a subir nos próximos meses”, diz Calife.

IMAGEM: Freepik

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

13º: integral em jornada reduzida, proporcional nos contratos suspensos

Em nota técnica, Ministério do Trabalho determina parâmetros sobre pagamento do abono de Natal para trabalhadores inclusos no Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda (BEm)

A Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, acaba de divulgar nota técnica determinando os parâmetros a serem aplicados pelos empregadores no pagamento do 13º salário e concessão de férias dos funcionários que tiveram jornada e salário reduzidos ou contratos suspensos, em razão de adesão ao BEm, o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (Lei nº 14.020 de 2020).

De acordo com a nota, os trabalhadores com jornadas de trabalho reduzidas no âmbito do benefício emergencial devem ter tanto 13º como férias pagos com base na remuneração integral. 

Esta regra deve ser observada, especialmente, nos casos em que os trabalhadores estiverem praticando jornada reduzida no mês de dezembro.

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Já para os contratos suspensos, os períodos de suspensão não devem ser computados como tempo de serviço e para cálculo de 13º e férias – ou seja, ele deve ser pago de forma proporcional. 

A exceção é para os casos em que os empregados prestaram serviço por mais de 15 dias no mês, já previstos na legislação vigente, favorecendo, assim, o trabalhador.

De acordo com a Secretaria do Trabalho, a diferenciação ocorre pois, na redução de jornada, o empregado permanece recebendo salário, sem afetar seu tempo de serviço na empresa – o que permite computar o período de trabalho para todos os efeitos legais.

Com a suspensão dos contratos de trabalho, porém, a empresa não efetua pagamento de salários, e o período de afastamento não é considerado para contagem de tempo de serviço, afetando o cálculo das férias e 13º.

LIBERDADE NEGOCIAL

Mas há uma questão que deve ser observada quanto ao pagamento do 13º ou das férias enquanto estiver vigente o contrato do BEm. Em comunicado do último dia 20 de outubro, o Ministério da Economia destacou a ‘liberdade negocial’ entre as partes, que pode ser exercida de forma coletiva ou individual. 

“Se houver acordo ou convenção coletiva que trata sobre o assunto (como o pagamento integral do abono em qualquer uma das situações, por exemplo), prevalece a convenção ou acordo”, alerta o contabilista Márcio Shimomoto, presidente do Instituto Fenacon e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

FOTO: Arquivo/Agência Brasil

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO


Inadimplência: caminhamos para um achatamento da curva

Postergação de dívidas e medidas de auxílio mudam a tendência esperada da curva

As medidas restritivas e de isolamento social impostas ao redor do mundo tiveram como objetivo reduzir a velocidade de propagação e contágio do novo coronavírus, evitando, assim, um colapso nos sistemas de saúde.

Ficou amplamente disseminada neste período a tese do “achatamento da curva” de contaminação como forma de evitar que muitos pacientes utilizassem as UTIs simultaneamente aos atendimentos corriqueiros, algo que sobrecarregaria os hospitais, que normalmente já convivem com a escassez de leitos, equipamentos médicos e remédios.

Sem as medidas de restrição, o número de novos casos poderia ter sido bem mais elevado e, consequentemente, a curva de contaminação seria mais íngreme. Contudo, seria esperada, também, uma subsequente queda mais acentuada, embora isso não possa ser afirmado com toda a certeza.

Fato é que isso, a contenção do número de casos de coronavírus, teve um preço muito alto, a indústria e o comércio despencaram nos meses de março e abril, a confiança dos agentes ruiu e, por fim, o desemprego disparou e atingiu os maiores níveis da série histórica.

Ainda que estes números tenham retornado aos patamares pré-pandemia, conforme publicações mais recentes, o cenário de recuperação para 2021 ainda é desafiador.

Analogamente, é possível traçar um cenário similar para inadimplência no mercado de crédito. Os credores, na tentativa de conter um aumento significativo da inadimplência num curto espaço de tempo, propuseram novos acordos para dar sobrevida a seus clientes. Contudo, assim como o achatamento da curva de contaminação por coronavírus, o achatamento da taxa de inadimplência deverá cobrar o seu preço, e este costuma ter forte ligação com o fator desencadeador do processo.  

Nas últimas grandes crises provocadas por fatores externos, em 2001 com a bolha da internet e em 2008 com a crise do subprime, os movimentos da inadimplência seguiram um padrão de comportamento. Rapidamente cresceram mais de 20% em cerca de 8 a 10 meses, como era esperado, mas regressaram ao mesmo patamar num curto espaço de tempo.

No entanto, as crises mais recentes de inadimplência estiveram relacionadas a fatores internos, como a explosão do crédito no início da década de 2010 e a forte crise dos anos 2015 e 2016. Nesses casos, essa dinâmica, de crescimento e queda subsequente da inadimplência, foi mais prolongada.

Em poucas palavras, a história recente mostra que os ajustes sobre a inadimplência, após rápida elevação, são muito vagarosos quando o fator catalizador da crise é interno. Atualmente, este fator é mundial, de forma que a volta aos patamares pré-crise deveria ser mais lenta.

Em meio à pandemia, os grandes bancos brasileiros optaram por medidas paliativas a fim de evitar uma escalada na inadimplência, por meio da renegociação dos prazos e condições, e isso se traduziu numa queda da taxa de inadimplência divulgada pelo Banco Central do Brasil desde então.

Isso não quer dizer, porém, que o problema da inadimplência tenha sido resolvido, caso contrário, os mesmos bancos não teriam aumentado suas provisões para devedores duvidosos (PDD) como ficou evidente nos balanços divulgados referentes aos resultados do 2º e 3º trimestres de 2020.

A ideia inicial foi postergar a solução do problema para um momento mais favorável e em melhores condições econômicas, de renda e de emprego, uma vez que, o momento atual era de muita incerteza e de forte deterioração das expectativas. Os grandes bancos sabem, também, que cedo ou tarde essa conta vai chegar e estão trabalhando para minimizar os impactos da pandemia sobre o mercado de crédito brasileiro.

No entanto, vale a pena ressaltar que os grandes bancos, apesar de maioria, não são os únicos agentes desse mercado. Outros credores, que não tiveram as mesmas condições de renegociar seus créditos com os clientes, sentiram de imediato os efeitos da pandemia.

Nas empresas de varejo, por exemplo, a inadimplência disparou e, ainda assim, na maioria dos casos houve aumento do nível de provisões para PDD, ou seja, o pior ainda pode estar por vir.

Evidentemente, em números totais e oficiais, o aumento da inadimplência no varejo não foi perceptível dada a relevância dos grandes bancos no mercado de crédito brasileiro, ainda assim, isso pode servir de termômetro aos grandes bancos na tentativa de estimar o tamanho da conta a ser paga no futuro, de modo que a dosagem para prevenção de efeitos colaterais pode ser aumentada daqui em diante.

Os dados mais recentes já apontam para uma desaceleração vertiginosa na concessão de crédito, resultante do impacto da pandemia sobre o nível de atividade e emprego, caso contrário, num momento histórico de baixa taxa de juros, seria muito mais provável um cenário de aceleração da concessão.

Outro movimento que pode vir a ser verificado seria o de restringir o crédito às categorias mais arriscadas, uma alternativa aos credores como forma de mitigar os riscos futuros e reduzir a demanda por provisões.

Em resumo, pode-se dizer que a pandemia aconteceu num momento ruim, uma vez que vários fatores apontavam para uma melhora consistente da economia brasileira como um todo, com os juros relativamente baixos, a inflação controlada e o nível de ociosidade ainda era relativamente alto, ou seja, não haveria necessidade de grandes investimentos para reaquecer a economia, o mercado de crédito estava num ótimo momento mesmo com o aumento do comprometimento de renda das famílias, pois as expectativas eram muito boas, e o mercado de trabalho, ainda que tenha sido tímido no ano de 2019, poderia enfim mostrar alguma melhora. Mas, talvez, pudesse ter vindo num momento muito pior.

IMAGEM: Thinkstock

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

Pix entra em operação e permitirá troco em dinheiro

Foram cadastradas mais de 71 milhões de chaves Pix e realizadas mais de 1 milhão e 900 mil transações durante a fase de testes

O Pix, sistema que pagamentos instantâneos, terá novas funcionalidades no futuro, como pagamentos programados e troco em dinheiro. A afirmação é do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que lançou oficialmente nesta segunda-feira, 16/11, a operação plena do Pix, que estava em fase de testes.

Segundo Campos Neto, o sistema permitirá o chamado cashback (em inglês, dinheiro de volta). Ou seja, o consumidor poderá pagar uma compra em uma loja com Pix e receber o troco em dinheiro.

No evento virtual de lançamento do Pix, Campos Neto destacou que o novo sistema é democrático por levar a tecnologia a todos os lugares, e reduz os custos das operações. “O Pix é rápido, barato, seguro, transparente e aberto”, disse.

Por reduzir os custos, como, por exemplo, com transporte de dinheiro, o presidente do BC disse que o novo sistema viabiliza pequenos negócios.

Além disso, ressaltou que o sistema é seguro. “O dinheiro passa a ser rastreado, reduz várias práticas de crime como lavagem de dinheiro”, afirmou.

71 MILHÕES DE CHAVES

Entre os dias 3 e 15 de novembro ocorreu a operação restrita do PIX, em que alguns clientes selecionados pelas instituições puderam experimentar a novidade e realizar pagamentos e transferências.

Esse período, planejado pelo Banco Central, serviu também para que todas as instituições aprovadas na etapa homologatória pudessem executar as funcionalidades em produção, ainda com um número limitado de usuários e grade horária diferenciada, possibilitando a implementação de ajustes finais de forma a garantir o pleno funcionamento a partir do lançamento amplo para a toda população.

Conforme o BC, no período se observou “um significativo nível de colaboração entre as instituições e forte engajamento de todos”.

“Até 15/11 já haviam sido cadastradas mais de 71 milhões de chaves PIX e realizadas mais de 1 milhão e 900 mil transações entre instituições diferentes, com um montante financeiro que passou de 780 milhões de reais”.

O BC informou ainda que, 19 instituições, de participação facultativa, não realizaram todos os testes durante o período de operação restrita. Em função disso, elas “retornaram à etapa de homologação a partir de 1º de dezembro de 2020, deixando para ofertar o PIX em momento futuro”.

“As demais, no total 734 instituições, terão o PIX disponível para toda a base de clientes a partir de hoje”, acrescentou a autarquia.

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IMAGEM: divulgação

FONTE: Diário do Comércio

Recuperação do setor de serviços pode ser freada pelo fim do auxílio

Em setembro, os serviços seguiram diminuindo sua contração. Esse arrefecimento poderá perder força durante os próximos meses com o fim do auxílio emergencial, numa situação de desemprego elevado.

Em setembro, os serviços seguiram diminuindo sua contração. Esse arrefecimento poderá perder força durante os próximos meses com o fim do auxílio emergencial, numa situação de desemprego elevado.

Por outro lado, a continuidade da flexibilização das medidas de isolamento social e a expectativa mais positiva das famílias frente ao futuro poderão contribuir positivamente para que o setor, paulatinamente, prossiga em sua retomada.

O volume de serviços prestados, em setembro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou crescimento de 1,8%, em relação a agosto, anotando a quarta alta seguida nessa mesma base de comparação.

No contraste com maio de 2019, houve queda de 7,2%, menor do que a esperada pelo mercado. Em termos anuais e em 12 meses, as contrações alcançaram a 8,8% e 6,0%, respectivamente, porém seguem muito influenciadas pelos resultados fortemente negativos de abril e maio.

A tendência, dado o cenário atípico existente, fica mais clara na comparação com o mesmo mês do ano passado, tal como mostra o gráfico abaixo, que permite visualizar que o setor tem atenuando sua retração a partir de junho.

Esse arrefecimento estaria diretamente relacionado à flexibilização das medidas de isolamento social, ao impacto positivo na renda das famílias, gerado pelo auxílio emergencial, e à maior confiança do consumidor registrada nos últimos meses.

Em relação a 2019, novamente quatro das cinco atividades consideradas na pesquisa do IBGE recuaram.

Os impactos negativos vieram, mais uma vez, dos serviços prestados às famílias (hotéis e restaurantes), transportes (principalmente aéreo), serviços profissionais, administrativos e complementares (serviços prestados a empresas) e serviços de comunicação (TV por assinatura, cinemas e eventos).

Novamente, o único ramo que cresceu foi o denominado “outros serviços”, impulsionado pela negociação de títulos e valores, coleta de resíduos e reparação.

O agregado do turismo seguiu caindo fortemente, devido à diminuição dos serviços de hotéis, transporte aéreo, locação de veículos e restaurantes.

IMAGEM: Thinkstock

FONTE: Diário Do Comércio

ECONOMIA Lojistas enfrentam alta de preços e falta de produto

E as incertezas sobre a capacidade financeira das famílias em meio à pandemia do novo coronavírus fazem deste final de ano um dos mais instáveis e imprevisíveis dos últimos tempos

A 45 dias do Natal, os lojistas brasileiros têm de lidar com um dos piores cenários para qualquer empreendedor: a instabilidade e a imprevisibilidade dos negócios.

No momento em que deveriam receber as mercadorias para vender em dois grandes eventos, a Black Friday e o Natal, os comerciantes travam discussões exaustivas com fornecedores.

O principal motivo é o aumento de preços em proporções que remetem a 2015, um ano antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando a alta do dólar chegou a 42%. Neste ano, o dólar subiu 32%. 

A falta de matérias-primas e produtos prontos é outro problema enfrentado pelo comércio, justamente quando se aproxima o melhor período de vendas do ano.

E como será este final de ano? As famílias terão renda para ir às compras? Eis outra dúvida que tem tirado o sono dos comerciantes.

“A pressão está fora do normal. A indústria apresenta reajustes absurdos, de até 50%”, afirma José Domingos Alves, superintendente da Lojas Cem.

“Não pagamos o que eles pedem, mas não compramos pelo preço que queremos.”

Os eletro-portáteis, como liquidificadores, ferros elétricos e misturadores, diz ele, são os que apresentam os maiores aumentos, seguidos por televisores, produtos de informática, móveis e colchões.

A situação se repete em todas as áreas do varejo.

Os aumentos de preços de matérias-primas utilizadas pelas confecções subiram de 10% a 40%, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Bom Retiro.

“As negociações estão muito difíceis, principalmente no caso de tecidos importados”, diz Nelson Tranquez, vice-presidente da CDL, e diretor da Loony, confecção especializada em jeans.

O preço do tecido jeans, de acordo com ele, subiu de 25% a 30% depois da pandemia.

No atacado, os preços de calças jeans da Loony custam R$ 89 e R$ 99, dependendo do modelo. Como tem tecido em estoque, diz Tranquez, dá para manter os preços.

“Vamos tentar segurar o máximo que der, até porque o consumo continua fraco.”

O fio de algodão que custava R$ 12 o quilo antes da pandemia, agora custa R$ 23. O preço da caixa de papelão subiu entre 20% e 30%.

O levantamento foi feito por Tito Bessa, presidente da Ablos, associação que reúne as lojas satélites de shoppings, e sócio-diretor da rede TNG.

“A cadeia toda está comprometida. Os preços subiram e há falta de produtos.”

ALIMENTOS

Os alimentos são disparadamente os produtos que mais tiveram aumentos de preços neste ano.

Supermercadistas e donos de padarias informam que novas listas de preços são apresentadas quase todo o mês pelos fornecedores.

Com 13 lojas, a rede Veran criou um índice interno de custos, e o número deste ano chega a ser aproximadamente o triplo do da inflação oficial do governo.

De janeiro a outubro deste ano, a inflação de custos do supermercado bateu em 12,79%. O IPCA dos últimos 12 meses terminados em outubro foi de 3,9%.

Os custos de produtos de açougue subiram 29,47% de janeiro a outubro deste ano no Veran, de frutas, legumes e verduras, 11,5% e, de padaria, 19,69%, por exemplo.

“O pior é que não vejo recuo, podendo ocorrer no caso de um ou outro produto, como aconteceu com o leite. Faz tempo que não existe uma pressão de custos como esta”, afirma Sandro Benelli, presidente do Veran.

Uma das justificativas pelos elevados reajustes é a alta de preços das commodities agrícolas no mercado internacional. A outra é a subia do dólar.

Alguns produtos que compõem o IPCA tiveram grandes elevações de preços nos últimos 12 meses terminados em outubro.

O preço do arroz subiu 60,8%, do feijão carioca rajado, 47,5%, do tomate, 40%, e do contrafilé, 57%.

No caso dos importados, alguns itens chegaram a dobrar de preço.

O presunto cru espanhol vendido na padaria Nova Charmosa, em Perdizes, por exemplo, custava R$ 99 o quilo antes da pandemia. Agora, R$ 180.

O preço do quilo da muçarela subiu de R$ 50 para R$ 70.

As listas de preços de fornecedores da padaria exibem reajustes de até 95%, como é o caso de plástico filme.

Os proprietários da Nova Charmosa também estão com dificuldade para repor alguns tipos de embalagens, além de misturas para a fabricação de produtos.

ELETROELETRÔNICOS

Apesar de o consumidor já sentir no bolso a alta de preços de eletroeletrônicos, a inflação neste grupo de produtos é menor do que a do setor de alimentos.

A alta de preços de aparelhos eletrônicos foi de 1,2% nos últimos 12 meses terminados em outubro. No caso de máquina de lavar roupa, de 3,4% e, de fogões, de 8,5%.

“Muito provavelmente, os grupos varejistas deste setor estão segurando os preços porque esses produtos não são de primeira necessidade”, afirma Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

O consumidor deverá sentir os reajustes de preços, no caso desses produtos, na medida em que os estoques das lojas forem acabando.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Para Silveira, não há dúvida que o período de Natal deste ano será chocho para os comerciantes.

E, não somente por conta da alta de preços e da falta de produtos, mas também pela indefinição em relação ao auxílio emergencial oferecido pelo governo aos mais pobres.

“Não há visibilidade no que vem pela frente. As previsões estão mais difíceis até para o curtíssimo prazo”, diz.

Os aumentos de preços, de acordo com Silveira, estão diferenciados e desproporcionais.

“E quando há incerteza em relação a preços, há incerteza em relação a volumes vendidos.”

Parte do aumento de preços de alimentos, em sua avaliação, foi sustentada pelo auxílio emergencial, que não se sabe se será estendido para 2021.

Se não houver mais injeção de recursos na economia, diz ele, é provável que a pressão sobre os preços diminua.

Com tanta incerteza no cenário macroeconômico, diz Silveira, fica difícil fazer projeções, mas, infelizmente, existe uma certeza: muitas lojas ainda devem fechar as portas até o início de 2021.

IMAGEM: Fátima Fernandes/DC

FONTE: DIÁRIO DO COMÉCIO

Altos e baixos na economia sinalizam incertezas para 2021

Apesar da melhora em alguns setores, recuperação da confiança do consumidor é pontual: com o fim do Auxílio Emergencial, preocupação é com a desaceleração da atividade no 1º semestre

A agricultura ainda está num bom momento, assim como o e-commerce, que deve ampliar mais sua participação recorde em 2020 com a proximidade da Black Friday, no próximo dia 27 de novembro. 

Com ligeira desaceleração após os primeiros meses de quarentena, os supermercados se animam com o fim do ano e acumulam alta de 4,5% de janeiro a setembro, acima dos 2,45% projetados no pré-pandemia. 

Mas há desafios para alguns setores, como alta nos preços em dólar, escassez de insumos e equipamentos para produção industrial e agrícola, seca e incêndios do Centro-Sul, que atrasaram o plantio da próxima safra, assim como a elevação nos preços dos alimentos, que impactam as vendas na ponta. 

A iminência do fim do Auxílio Emergencial no próximo dia 31 de dezembro, porém, é o que mais preocupa, pois deve resultar na desaceleração da atividade no 1º semestre de 2021.

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Essa é a perspectiva de alguns empresários que participaram da reunião on-line do Comitê de Avaliação de Conjuntura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Historicamente, a pedido dos participantes dessa reunião, seus nomes não são divulgados. 

Mesmo com recuperação da confiança do consumidor, que fechou outubro em 85 pontos, 12 a mais que em abril e maio, meses de isolamento social (dados do Índice Nacional de Confiança da ACSP), o indicador é altamente influenciado pelo pagamento do benefício provisório, segundo um economista da ACSP. 

A proximidade do novo ano, que faz com que tradicionalmente o brasileiro fique mais esperançoso, assim como a perspectiva de fim da pandemia e das medidas restritivas, ajudaram na recuperação, afirma. 

E isso, obviamente, deve influenciar as vendas do varejo que, segundo projeção dos economistas da ACSP, iniciou a pandemia com perspectiva de fechar o ano em queda de 8%, mas agora deve recuar só 2,2%.

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“Não são perspectivas positivas, mas menos desfavoráveis do que se previa no começo”, afirmou o economista, reforçando que a melhora nas condições de crédito e da soma da transferência de renda à massa salarial tem ajudado na recuperação do setor varejista. 

A expectativa, pelo menos por enquanto, é que a confiança do consumidor continue aumentando até o fim de 2020, e que o crédito se mantenha em condições mais favoráveis.

Mas ainda há o desemprego muito elevado, que não vai se reverter de forma muito rápida, assim como o fechamento de lojas, que deve continuar nesse cenário quando se pensa no pequeno comércio.   

O CUSTO DA ALIMENTAÇÃO 

Nos supermercados, que devem fechar o ano com alta de 4% a 5% “em um cenário de covid”, segundo um representante do setor, o Auxílio puxou a alta de 12% nas vendas de janeiro a agosto em regiões mais dependentes do benefício, como Norte e Nordeste, onde o desempenho era fraco há pelo menos 10 anos.  

Em sua avaliação, o benefício teve impacto relevante no momento atual, pois ajudou o consumidor a garantir a compra de alimentos e bebidas e vem mantendo o faturamento do setor em níveis elevados. 

A preocupação, porém, é com a alta dos preços dos alimentos, que subiram 12% nos últimos 12 meses, e de 8,3% de janeiro a setembro. O impacto dessa alta no consumo deve ser ainda maior após o fim do Auxílio. 

“Estamos negociando com a indústria, mas sabemos que é um problema que vai muito além de negociações ou  reajuste de margens”, afirma. “Embora o faturamento tenha aumentado, o custo também aumentou. É um cenário relativamente preocupante, e não vemos melhoras pelo menos no curto prazo.”

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Mesmo com os excelentes preços em dólar e a projeção de crescer entre 2% e 3% em 2020, alguns problemas ligados ao agronegócio brasileiro – como a seca e os incêndios que afetaram do Centro-Sul ao Amazonas – sinalizam como deve ser o comportamento dos preços nos próximos meses. 

Segundo um representante do agronegócio, essas questões atrasaram o plantio – em especial da safra de milho, que o Brasil precisava ampliar para atender ao consumo interno. 

“Teremos uma área maior, mas em condição de produtividade menor”, afirmou. 

Tudo isso, mais o forte aumento das exportações, têm puxado a alta de preços. “Estamos em meio à uma inflação de alimentos, e com perspectiva de não ter uma safra tão grande quanto esperávamos.”  

INDÚSTRIA E VAREJO 

Com crescimento de 30% entre abril e agosto, mas ainda 2,5% abaixo de 2019, a indústria tem apresentado um comportamento bastante heterogêneo, segundo um empresário do setor presente à reunião da ACSP. 

Enquanto alguns segmentos cresceram 10% na pandemia, como fumo, bebidas e móveis, outros tiveram queda muito forte, em torno de 20% em relação a 2019, como veículos, vestuário e calçados. 

Nesse cenário, o setor tem enfrentado dificuldades na compra de insumos, como papelão e plástico, e altas expressivas de preços de matérias-primas coladas ao dólar.

“Mas não é uma escassez estrutural, e a perspectiva é que se normalize no início de 2021”, afirmou. 

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O que chama a atenção, segundo o empresário, é que os dados de confiança ficaram muito fortes em outubro, com alta do indicador sobre as condições atuais – um dado muito ligado ao Auxílio Emergencial, que aumentou a massa de rendimentos em 3% durante a pandemia, segundo dados da PNAD do IBGE. 

“Normalmente, a expectativa era sempre menor no curto prazo, e mais favorável ao futuro. Mas isso se inverteu”, afirmou ele, que acredita que essa percepção deve arrefecer no 4º trimestre e iniciar 2021 em desaceleração. Além disso, o 13º dos aposentados e do setor público já foi pago, lembrou.

“Com isso, mais o fim do Auxílio, vamos perder um pouco de fôlego”, disse o representante da indústria.  

Para um especialista em varejo presente à reunião, segmentos como vestuário e itens de uso pessoal tiveram forte crescimento entre as classes C e D na pandemia, alimentados pelo Auxílio Emergencial.

Agora, com o valor do benefício caindo pela metade, esse movimento deve arrefecer ainda mais. “A grande preocupação é daqui para frente, quando esse consumidor, que não é precavido, pagará eventuais parcelas que fez nos meses anteriores e vai deixar de comprar – o que reduzirá ainda mais as vendas do varejo.”

COM AJUDA DA BLACK FRIDAY

Já o e-commerce, cujas transações globais aumentaram 21% com a pandemia, segundo um especialista no setor presente à reunião da ACSP, terá incremento de 27% com as festas, entre outubro e dezembro. 

No Brasil, sem contar o Mercado Livre – um importante player do setor – o faturamento cresceu 35% em nove meses, e no 3º trimestre, os consumidores únicos chegaram a 23 milhões – alta de 60% ante 2019.  

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As expectativas com a Black Friday, que deve faturar 27% a mais do que a edição 2019, ou R$ 4,1 bilhões, segundo a Ebit|Nielsen, são mais do que positivas, destacou o especialista. 

Porém, a estimativa é que os descontos desse ano sejam menores, devido à forte desvalorização do real, que deve pressionar os produtos importados, e também ao grande número de vendas ao longo de 2020. 

“Os estoques dos varejistas com preços antigos estão muitos baixos, e quando repõem, compram em dólar e os valores já vêm muito altos”, disse. “Mesmo assim, a Black Friday promete ser sucesso com a participação do varejo off-line e dos shoppings.” Dedos cruzados. 

IMAGEM: Pixabay

FONTE: Diário do Comércio


Benefício social pode ser embasado por salário mínimo, mas reajuste não, diz STF

O salário mínimo pode ser usado como referência em lei que cria determinado benefício social, mas a futura correção do valor deve seguir outro critério. Com esse entendimento, o Plenário virtual do Supremo Tribunal Federal julgou parcialmente procedente ação direta de inconstitucionalidade ajuizada contra lei que criou programa assistencial no Amapá.

Trata-se da Lei 1.598/2011 que criou o programa “Renda para Viver Melhor” e fixou em 50% do salário mínimo vigente o valor do benefício pago a famílias em situação de pobreza. Em 2012, o então governador Camilo Capiberibe (PSB) ajuizou a ADI levantando a inconstitucionalidade de diversos pontos.

Para o chefe do Executivo, a norma editada pelo Legislativo interferiu na organização e no funcionamento da administração estadual, além de ferir a Constituição ao vincular o benefício ao salário mínimo. Em 2015, o Plenário concedeu liminar suspendendo a eficácia de pontos específicos da norma, por violação aos princípios constitucionais da independência entre os Poderes.

O julgamento virtual encerrado na terça-feira confirmou, no mérito, o que foi definido liminarmente. Por unanimidade, prevaleceu o voto do relator, ministro Marco Aurélio, que conferiu interpretação conforme ao trecho da lei que vincula o benefício ao salário mínimo, para entender que pode ser usado como parâmetro inicial, mas eventuais reajustes devem ter disciplina própria.

O artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federal, veda vinculação ao salário mínimo para qualquer fim, norma destinada a evitar essa remuneração se tornasse indexador econômico. Isso abriria a possibilidade de os reajustes de salário levarem em conta interesses que não os dos trabalhadores assalariados.

“Nada obstante seja inviável atrelar ao salário mínimo o valor alusivo ao benefício e os critérios de admissão, é possível identificar, nos dispositivos impugnados, sentido que se coaduna com a Carta da República”, disse o relator. Assim, para garantir a continuidade do programa social, propôs a interpretação conforme em 2015, agora confirmada.

“É possível compreender os preceitos para tomar-se o salário mínimo como parâmetro de fixação de valor unitário, em pecúnia, no instante em que editada a lei, a fim de alcançar-se o montante referente ao benefício, condicionados os reajustes futuros a disciplina própria”, concluiu o ministro Marco Aurélio.

Clique aqui para ler o voto do ministro Marco Aurélio
ADI 4.726

FONTE: ConJur

Déficit fiscal pode superar 15% do PIB neste ano, diz IIF

A necessidade de medidas emergenciais para combater a crise provocada pelo coronavírus deixou pouca margem de manobra para o governo

O Brasil está em um trajetória fiscal “preocupante”, avalia o Instituto Internacional de Finanças (IIF), em relatório divulgado nesta terça-feira, 10/11.

Pelos cálculos da instituição, o País deve registrar déficit superior a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Segundo a análise, o governo brasileiro implementou um amplo pacote de estímulos para atenuar os efeitos econômicos da pandemia, em volume semelhante aos de algumas economias desenvolvidas. O IIF explica que as medidas expansionistas limitaram o choque causado pela covid-19, mas deixaram pouca margem para manobra.

“A dívida pública já era alta e cumprir a regra fiscal do Brasil requer anos de cortes sustentados de gastos”, pontua. Para financiar o passivo, o País retirou depósitos do Banco Central, que, por sua vez, colocou mais títulos públicos no mercado por meio de operações de recompra (repo).

“Redução de depósitos no BC evita emissão de dívida, mas a operação aumenta o dinheiro em circulação. O BC então esteriliza por meio de acordos de recompra reversa para manter inalterada a posição da política monetária”, ressalta. Como as operações são de 20 dias, em média, esse esquema pressupõe empréstimo de curtíssimo prazo à taxa Selic, argumenta o IIF.

O vencimento médio dos papéis caiu de forma acentuada e, em setembro, estava em 2 anos, não muito acima do 1,5 ano registrado na crise de 2002. “Dito isso, o cenário externo é radicalmente diferente agora. A dívida externa é uma ordem de magnitude menor, o déficit em conta corrente é pequeno (contra 4,2% do PIB em 2001) e os colchões de reserva são sólidos agora”, compara.

IMAGEM: Thinkstock

FONTE: Diário do Comércio