Confiança Empresarial cai 1,5 ponto em novembro, diz FGV

A redução da confiança ocorre em todos os setores, exceto na Indústria, que manteve a tendência ascendente no mês e segue numa fase favorável

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuou 1,5 ponto em novembro ante outubro, para 95,6 pontos, informou nesta terça-feira, 1º de dezembro, a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em médias móveis trimestrais, o indicador teve ligeira alta de 0,3 ponto no mês. “A confiança empresarial seguiu em novembro a tendência de queda esboçada no mês anterior, refletindo a revisão de expectativas motivada pelo aumento da incerteza em relação aos rumos da crise sanitária e da economia nos próximos meses”, disse Aloisio Campelo Júnior, superintendente de Estatísticas Públicas do Ibre.

Segundo ele, a redução da confiança ocorre em todos os setores, exceto na Indústria, que manteve a tendência ascendente no mês e segue numa fase favorável. No extremo oposto, a confiança do Setor de Serviços recuou em novembro a 85 pontos, nível muito baixo em termos históricos. “Ao que parece, enquanto não surgir uma solução definitiva como seria o caso de uma bem-sucedida vacinação em massa, a economia seguirá em risco de desaceleração e com comportamentos muito heterogêneos entre os setores”, avaliou.

O Índice de Confiança Empresarial reúne os dados das sondagens da Indústria, Serviços, Comércio e Construção. O cálculo leva em conta os pesos proporcionais à participação na economia dos setores investigados, com base em informações extraídas das pesquisas estruturais anuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a FGV, o objetivo é que o ICE permita uma avaliação mais consistente sobre o ritmo da atividade econômica.

O Índice de Situação Atual Empresarial (ISA-E) subiu 1,4 ponto, a sétima alta consecutiva, para 98,0 pontos, maior nível desde dezembro de 2013. Já o Índice de Expectativas (IE-E) recuou 3,3 pontos, para 94,6 pontos.

Em novembro, o componente que avalia a evolução da demanda nos próximos três meses recuou 4,8 pontos, enquanto o item que mede o otimismo com a tendência dos Negócios nos seis meses seguintes recuou 1,0 ponto.

O emprego previsto para os próximos três meses subiu 0,7 ponto.

A confiança da indústria manteve a tendência de crescimento em novembro, com aumento da satisfação com a situação atual e acomodação do otimismo em relação aos meses seguintes. Todos os demais setores recuaram no mês, com destaque para a piora da percepção atual no Comércio e das expectativas no setor de Serviços.

“Com o resultado de novembro, a distância entre a confiança da Indústria e a dos demais setores atinge níveis recordes. Chama atenção especialmente o Setor de Serviços, em relação ao qual as diferenças são muito grandes tanto no indicador que mede a percepção em relação à situação atual (+38,4 ptos) quanto nas expectativas (+16,6 ptos).

Em outras palavras, enquanto a Indústria vive uma fase exuberante, o Setor de Serviços está mal e já começa a ficar pessimista com os rumos dos negócios nos próximos meses”, completou Campelo Júnior.

Em novembro, a confiança avançou em 43% dos 49 segmentos integrantes do ICE. A coleta do Índice de Confiança Empresarial reuniu informações de 4.153 empresas dos quatro setores entre os dias 1º e 27 de novembro.

IMAGEM: Thinkstock

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

VOCÊ TÊM DIREITO À INFORMAÇÃO

Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seus interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade.

Constituição Federal, art. 5°.XXXIII

Ainda segundo a Constituição Federal, ficam de fora as informações “cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”.

 Conheça o importante papel das ouvidorias na melhoria dos serviços públicos: 

https://bit.ly/3lguQC9.

fonte: SENADO FEDERAL

Não há mais limite para reparcelar dívida no Simples Nacional

Resolução da Receita Federal pretende estimular regularização tributária e evitar a exclusão do regime simplificado

As empresas do Simples Nacional já podem parcelar débitos tributários, informou na última quarta-feira (4/11) a Receita Federal. Podem ser parcelados débitos apurados pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional).

De acordo com a Receita, a Instrução Normativa RFB nº 1.981, de 9 de outubro de 2020, excluiu o limite de um pedido de parcelamento por ano.

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“Desta forma, o contribuinte poderá reparcelar sua dívida quantas vezes quiser. A possibilidade visa estimular a regularização tributária dos contribuintes e, consequentemente, evitar ações de cobrança da Receita Federal que podem ocasionar a exclusão do Simples Nacional”, diz o órgão.

As condições para o reparcelamento é o pagamento da primeira parcela de acordo com os seguintes percentuais: I – 10% do total dos débitos consolidados; ou II – 20% (vinte por cento) do total dos débitos consolidados, caso haja débito com histórico de reparcelamento anterior.

O pedido de reparcelamento deverá ser feito exclusivamente por meio do site da Receita Federal na internet, acessando o Portal e-CAC ou Portal do Simples Nacional.

Para outras informações sobre o reparcelamento, acesse o Manual de Parcelamento do Simples Nacional, disponível no Portal do Simples Nacional.

FOTO: Thinkstock

FONTE: DÁRIO DO COMÉRCIO

Black Friday deve movimentar R$ 3,7 bilhões, segundo a CNC

O valor, caso se confirme, representaria um aumento de 6% em relação ao volume movimentado na data em 2019

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a Black Friday de 2020 movimentará R$ 3,74 bilhões, o que resultaria no maior faturamento desde que a data foi incorporada ao calendário do varejo nacional, em 2010.

Confirmada a previsão da CNC, haverá um aumento de 6% em relação a 2019 (R$ 3,67 bilhões) – descontada a inflação, o crescimento real das vendas, em comparação com igual período do ano passado, deverá ser de 1,8%.

O avanço do comércio eletrônico desde o início da pandemia do novo coronavírus é apontado pela Confederação como determinante para que a Black Friday seja a primeira data do varejo a registrar crescimento real neste ano.

“Em 2020, mais do que em qualquer outra edição, a Black Friday deverá expor a diferença de desempenho entre as lojas físicas e as lojas on-line”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Ele projeta avanço real de 61,4% nas vendas exclusivamente on-line, em relação à Black Friday de 2019.

Já as lojas físicas deverão apresentar avanço de apenas 1,1%, em comparação com o ano passado.

Segundo dados da Receita Federal, de março a setembro o faturamento real do e-commerce cresceu 45%, em comparação com igual período de 2019, e a quantidade de pedidos mais que dobrou (+110%).

O segmento de eletroeletrônicos e utilidades domésticas deverá ser o principal destaque entre os ramos que já aderiram à data, com previsão de movimentação financeira de R$ 1,022 bilhão.

Em seguida, deverão sobressair os volumes de receita gerados pelos segmentos de hipermercados e supermercados (R$ 916,9 milhões) e de móveis e eletrodomésticos (R$ 853,4 milhões).

DESCONTOS

De acordo com o estudo da CNC, os produtos com mais chances de desconto efetivo são, em ordem decrescente: consoles de videogame; notebooks; games para PC; calças masculinas; e aspiradores de pó. “Por outro lado, as chances de desconto efetivo em bicicletas e colchões, por exemplo, são mais reduzidas”, aponta Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo.

Para chegar a este resultado, a CNC coletou, diariamente, mais de dois mil preços de produtos ao longo dos últimos 40 dias – encerrados em 15 de novembro.

Pela metodologia da Confederação, um determinado item que apresenta altas expressivas (superiores a 20%, por exemplo) no preço mínimo praticado durante as semanas que antecedem a Black Friday possui baixo potencial de desconto efetivo.

A Black Friday, evento promocional de descontos no varejo que ocorre sempre na última sexta-feira de novembro, sendo já a quinta data mais importante para o setor, atrás de Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.

Fonte: Diário do Comércio

Auxílio emergencial ajuda a controlar a inadimplência

Meses sem faturar, disputa na Justiça para a redução do aluguel, aumento de preços dos fornecedores, desemprego em alta e cliente com medo de ir às compras.

Uma combinação perfeita de fatores para classificar 2020 como um dos piores anos para o varejo na história do país, de acordo com lojistas.

Mas, por mais incrível que possa parecer, em meio ao emaranhado de condições desfavoráveis ao empreendedor e ao consumo, há um indicador positivo.

Para surpresa de muitos economistas, a inadimplência do consumidor está menor do que há um ano, de acordo com dados do Banco Central e de empresas de informações de crédito.

Considerando todas as modalidades de crédito para a pessoa física, a taxa de inadimplência foi de 3,1% em setembro para os atrasos acima de 90 dias. Em setembro de 2019 era de 3,9%.

Para os atrasos entre 15 e 90 dias, a taxa de setembro deste ano é de 2,6%. A do mesmo mês do ano passado, de 3,5%, de acordo com o BC.

Quando o país vive uma crise econômica, geralmente, o pico da inadimplência se dá em um prazo de seis a sete meses, no máximo.

Desta vez, diferentemente do que aconteceu em crises econômicas enfrentadas pelo Brasil, a inadimplência não subiu com a rapidez esperada.

Alguns motivos explicam a boa notícia, ao menos por enquanto, para o comércio.

Bancos e grandes redes postergaram o pagamento de prestações por conta da pandemia do novo coronavírus. Além disso, os brasileiros reduziram a busca por crédito.

O auxílio emergencial oferecido pelo governo às famílias mais carentes também tem segurado a inadimplência com índices até menores do que as do ano passado.

A Boa Vista, empresa de informações de crédito, informa que as taxas de inadimplência dos últimos 12 meses estão de 10% a 20% menores do que as do período imediatamente anterior.

São taxas com atrasos de pagamento acima de 60 dias com bancos, redes de lojas e fornecedores de serviços, como gás, água, energia elétrica e telefone.

“Quem negativa os clientes são os bancos e as empresas, e eles mudaram a política de negativação, jogando 90 a 120 dias para a frente”, diz Flávio Calife, economista da Boa Vista.

Uma inadimplência mais controlada estimula as grandes redes a dar mais prazos de pagamento para os clientes, especialmente num período em que o consumo está represado.

A Renner, por exemplo, está oferecendo 60 dias para o pagamento da primeira parcela nas compras feitas com o cartão da rede, uma forma de estimular as vendas neste final de ano.

Prazos mais longos de pagamento são uma boa opção para elevar o consumo e a receita quando o cliente paga em dia, de acordo com Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

Os meses de outubro, novembro e dezembro, diz ele, não devem revelar grandes mudanças nas taxas de inadimplência. Agora, a partir de janeiro, o cenário pode ser outro.

Além de o consumidor ter os tradicionais compromissos de um início de ano, como o pagamento do IPTU e da matrícula escolar, o auxílio emergencial pode deixar de existir.

O auxílio emergencial tem injetado bilhões de reais por mês na economia, um dinheiro que cai nas mãos de desempregados e que acaba tendo impacto em toda a economia.

De abril a agosto, o auxilio emergencial foi da ordem de R$ 24 bilhões por mês. De setembro a dezembro, este número deve ficar perto de R$ 12 bilhões por mês.

A redução de recursos na economia deverá diminuir o ritmo de consumo e provocar alguma elevação da inadimplência, na avaliação de Silveira.

Alguns setores já apresentam inadimplência elevada, como o das escolas privadas.

Em setembro, o índice foi de 17,72%, de acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo. Em junho, o percentual tinha sido ainda maior, de 23,74%.

“O futuro está muito incerto. O governo pode ou não continuar distribuindo renda. E, se tiver a ajuda financeira, qual será o valor?”, diz Silveira.

Diante de tantas incertezas, o melhor que os lojistas podem fazer é ter cautela na hora de vender a prazo.

“Como a redução da inadimplência parece temporária, é preciso ter avaliação rigorosa na concessão de crédito. As taxas devem voltar a subir nos próximos meses”, diz Calife.

IMAGEM: Freepik

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

13º: integral em jornada reduzida, proporcional nos contratos suspensos

Em nota técnica, Ministério do Trabalho determina parâmetros sobre pagamento do abono de Natal para trabalhadores inclusos no Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda (BEm)

A Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, acaba de divulgar nota técnica determinando os parâmetros a serem aplicados pelos empregadores no pagamento do 13º salário e concessão de férias dos funcionários que tiveram jornada e salário reduzidos ou contratos suspensos, em razão de adesão ao BEm, o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (Lei nº 14.020 de 2020).

De acordo com a nota, os trabalhadores com jornadas de trabalho reduzidas no âmbito do benefício emergencial devem ter tanto 13º como férias pagos com base na remuneração integral. 

Esta regra deve ser observada, especialmente, nos casos em que os trabalhadores estiverem praticando jornada reduzida no mês de dezembro.

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Já para os contratos suspensos, os períodos de suspensão não devem ser computados como tempo de serviço e para cálculo de 13º e férias – ou seja, ele deve ser pago de forma proporcional. 

A exceção é para os casos em que os empregados prestaram serviço por mais de 15 dias no mês, já previstos na legislação vigente, favorecendo, assim, o trabalhador.

De acordo com a Secretaria do Trabalho, a diferenciação ocorre pois, na redução de jornada, o empregado permanece recebendo salário, sem afetar seu tempo de serviço na empresa – o que permite computar o período de trabalho para todos os efeitos legais.

Com a suspensão dos contratos de trabalho, porém, a empresa não efetua pagamento de salários, e o período de afastamento não é considerado para contagem de tempo de serviço, afetando o cálculo das férias e 13º.

LIBERDADE NEGOCIAL

Mas há uma questão que deve ser observada quanto ao pagamento do 13º ou das férias enquanto estiver vigente o contrato do BEm. Em comunicado do último dia 20 de outubro, o Ministério da Economia destacou a ‘liberdade negocial’ entre as partes, que pode ser exercida de forma coletiva ou individual. 

“Se houver acordo ou convenção coletiva que trata sobre o assunto (como o pagamento integral do abono em qualquer uma das situações, por exemplo), prevalece a convenção ou acordo”, alerta o contabilista Márcio Shimomoto, presidente do Instituto Fenacon e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

FOTO: Arquivo/Agência Brasil

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO


Inadimplência: caminhamos para um achatamento da curva

Postergação de dívidas e medidas de auxílio mudam a tendência esperada da curva

As medidas restritivas e de isolamento social impostas ao redor do mundo tiveram como objetivo reduzir a velocidade de propagação e contágio do novo coronavírus, evitando, assim, um colapso nos sistemas de saúde.

Ficou amplamente disseminada neste período a tese do “achatamento da curva” de contaminação como forma de evitar que muitos pacientes utilizassem as UTIs simultaneamente aos atendimentos corriqueiros, algo que sobrecarregaria os hospitais, que normalmente já convivem com a escassez de leitos, equipamentos médicos e remédios.

Sem as medidas de restrição, o número de novos casos poderia ter sido bem mais elevado e, consequentemente, a curva de contaminação seria mais íngreme. Contudo, seria esperada, também, uma subsequente queda mais acentuada, embora isso não possa ser afirmado com toda a certeza.

Fato é que isso, a contenção do número de casos de coronavírus, teve um preço muito alto, a indústria e o comércio despencaram nos meses de março e abril, a confiança dos agentes ruiu e, por fim, o desemprego disparou e atingiu os maiores níveis da série histórica.

Ainda que estes números tenham retornado aos patamares pré-pandemia, conforme publicações mais recentes, o cenário de recuperação para 2021 ainda é desafiador.

Analogamente, é possível traçar um cenário similar para inadimplência no mercado de crédito. Os credores, na tentativa de conter um aumento significativo da inadimplência num curto espaço de tempo, propuseram novos acordos para dar sobrevida a seus clientes. Contudo, assim como o achatamento da curva de contaminação por coronavírus, o achatamento da taxa de inadimplência deverá cobrar o seu preço, e este costuma ter forte ligação com o fator desencadeador do processo.  

Nas últimas grandes crises provocadas por fatores externos, em 2001 com a bolha da internet e em 2008 com a crise do subprime, os movimentos da inadimplência seguiram um padrão de comportamento. Rapidamente cresceram mais de 20% em cerca de 8 a 10 meses, como era esperado, mas regressaram ao mesmo patamar num curto espaço de tempo.

No entanto, as crises mais recentes de inadimplência estiveram relacionadas a fatores internos, como a explosão do crédito no início da década de 2010 e a forte crise dos anos 2015 e 2016. Nesses casos, essa dinâmica, de crescimento e queda subsequente da inadimplência, foi mais prolongada.

Em poucas palavras, a história recente mostra que os ajustes sobre a inadimplência, após rápida elevação, são muito vagarosos quando o fator catalizador da crise é interno. Atualmente, este fator é mundial, de forma que a volta aos patamares pré-crise deveria ser mais lenta.

Em meio à pandemia, os grandes bancos brasileiros optaram por medidas paliativas a fim de evitar uma escalada na inadimplência, por meio da renegociação dos prazos e condições, e isso se traduziu numa queda da taxa de inadimplência divulgada pelo Banco Central do Brasil desde então.

Isso não quer dizer, porém, que o problema da inadimplência tenha sido resolvido, caso contrário, os mesmos bancos não teriam aumentado suas provisões para devedores duvidosos (PDD) como ficou evidente nos balanços divulgados referentes aos resultados do 2º e 3º trimestres de 2020.

A ideia inicial foi postergar a solução do problema para um momento mais favorável e em melhores condições econômicas, de renda e de emprego, uma vez que, o momento atual era de muita incerteza e de forte deterioração das expectativas. Os grandes bancos sabem, também, que cedo ou tarde essa conta vai chegar e estão trabalhando para minimizar os impactos da pandemia sobre o mercado de crédito brasileiro.

No entanto, vale a pena ressaltar que os grandes bancos, apesar de maioria, não são os únicos agentes desse mercado. Outros credores, que não tiveram as mesmas condições de renegociar seus créditos com os clientes, sentiram de imediato os efeitos da pandemia.

Nas empresas de varejo, por exemplo, a inadimplência disparou e, ainda assim, na maioria dos casos houve aumento do nível de provisões para PDD, ou seja, o pior ainda pode estar por vir.

Evidentemente, em números totais e oficiais, o aumento da inadimplência no varejo não foi perceptível dada a relevância dos grandes bancos no mercado de crédito brasileiro, ainda assim, isso pode servir de termômetro aos grandes bancos na tentativa de estimar o tamanho da conta a ser paga no futuro, de modo que a dosagem para prevenção de efeitos colaterais pode ser aumentada daqui em diante.

Os dados mais recentes já apontam para uma desaceleração vertiginosa na concessão de crédito, resultante do impacto da pandemia sobre o nível de atividade e emprego, caso contrário, num momento histórico de baixa taxa de juros, seria muito mais provável um cenário de aceleração da concessão.

Outro movimento que pode vir a ser verificado seria o de restringir o crédito às categorias mais arriscadas, uma alternativa aos credores como forma de mitigar os riscos futuros e reduzir a demanda por provisões.

Em resumo, pode-se dizer que a pandemia aconteceu num momento ruim, uma vez que vários fatores apontavam para uma melhora consistente da economia brasileira como um todo, com os juros relativamente baixos, a inflação controlada e o nível de ociosidade ainda era relativamente alto, ou seja, não haveria necessidade de grandes investimentos para reaquecer a economia, o mercado de crédito estava num ótimo momento mesmo com o aumento do comprometimento de renda das famílias, pois as expectativas eram muito boas, e o mercado de trabalho, ainda que tenha sido tímido no ano de 2019, poderia enfim mostrar alguma melhora. Mas, talvez, pudesse ter vindo num momento muito pior.

IMAGEM: Thinkstock

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

Pix entra em operação e permitirá troco em dinheiro

Foram cadastradas mais de 71 milhões de chaves Pix e realizadas mais de 1 milhão e 900 mil transações durante a fase de testes

O Pix, sistema que pagamentos instantâneos, terá novas funcionalidades no futuro, como pagamentos programados e troco em dinheiro. A afirmação é do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que lançou oficialmente nesta segunda-feira, 16/11, a operação plena do Pix, que estava em fase de testes.

Segundo Campos Neto, o sistema permitirá o chamado cashback (em inglês, dinheiro de volta). Ou seja, o consumidor poderá pagar uma compra em uma loja com Pix e receber o troco em dinheiro.

No evento virtual de lançamento do Pix, Campos Neto destacou que o novo sistema é democrático por levar a tecnologia a todos os lugares, e reduz os custos das operações. “O Pix é rápido, barato, seguro, transparente e aberto”, disse.

Por reduzir os custos, como, por exemplo, com transporte de dinheiro, o presidente do BC disse que o novo sistema viabiliza pequenos negócios.

Além disso, ressaltou que o sistema é seguro. “O dinheiro passa a ser rastreado, reduz várias práticas de crime como lavagem de dinheiro”, afirmou.

71 MILHÕES DE CHAVES

Entre os dias 3 e 15 de novembro ocorreu a operação restrita do PIX, em que alguns clientes selecionados pelas instituições puderam experimentar a novidade e realizar pagamentos e transferências.

Esse período, planejado pelo Banco Central, serviu também para que todas as instituições aprovadas na etapa homologatória pudessem executar as funcionalidades em produção, ainda com um número limitado de usuários e grade horária diferenciada, possibilitando a implementação de ajustes finais de forma a garantir o pleno funcionamento a partir do lançamento amplo para a toda população.

Conforme o BC, no período se observou “um significativo nível de colaboração entre as instituições e forte engajamento de todos”.

“Até 15/11 já haviam sido cadastradas mais de 71 milhões de chaves PIX e realizadas mais de 1 milhão e 900 mil transações entre instituições diferentes, com um montante financeiro que passou de 780 milhões de reais”.

O BC informou ainda que, 19 instituições, de participação facultativa, não realizaram todos os testes durante o período de operação restrita. Em função disso, elas “retornaram à etapa de homologação a partir de 1º de dezembro de 2020, deixando para ofertar o PIX em momento futuro”.

“As demais, no total 734 instituições, terão o PIX disponível para toda a base de clientes a partir de hoje”, acrescentou a autarquia.

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IMAGEM: divulgação

FONTE: Diário do Comércio

Recuperação do setor de serviços pode ser freada pelo fim do auxílio

Em setembro, os serviços seguiram diminuindo sua contração. Esse arrefecimento poderá perder força durante os próximos meses com o fim do auxílio emergencial, numa situação de desemprego elevado.

Em setembro, os serviços seguiram diminuindo sua contração. Esse arrefecimento poderá perder força durante os próximos meses com o fim do auxílio emergencial, numa situação de desemprego elevado.

Por outro lado, a continuidade da flexibilização das medidas de isolamento social e a expectativa mais positiva das famílias frente ao futuro poderão contribuir positivamente para que o setor, paulatinamente, prossiga em sua retomada.

O volume de serviços prestados, em setembro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou crescimento de 1,8%, em relação a agosto, anotando a quarta alta seguida nessa mesma base de comparação.

No contraste com maio de 2019, houve queda de 7,2%, menor do que a esperada pelo mercado. Em termos anuais e em 12 meses, as contrações alcançaram a 8,8% e 6,0%, respectivamente, porém seguem muito influenciadas pelos resultados fortemente negativos de abril e maio.

A tendência, dado o cenário atípico existente, fica mais clara na comparação com o mesmo mês do ano passado, tal como mostra o gráfico abaixo, que permite visualizar que o setor tem atenuando sua retração a partir de junho.

Esse arrefecimento estaria diretamente relacionado à flexibilização das medidas de isolamento social, ao impacto positivo na renda das famílias, gerado pelo auxílio emergencial, e à maior confiança do consumidor registrada nos últimos meses.

Em relação a 2019, novamente quatro das cinco atividades consideradas na pesquisa do IBGE recuaram.

Os impactos negativos vieram, mais uma vez, dos serviços prestados às famílias (hotéis e restaurantes), transportes (principalmente aéreo), serviços profissionais, administrativos e complementares (serviços prestados a empresas) e serviços de comunicação (TV por assinatura, cinemas e eventos).

Novamente, o único ramo que cresceu foi o denominado “outros serviços”, impulsionado pela negociação de títulos e valores, coleta de resíduos e reparação.

O agregado do turismo seguiu caindo fortemente, devido à diminuição dos serviços de hotéis, transporte aéreo, locação de veículos e restaurantes.

IMAGEM: Thinkstock

FONTE: Diário Do Comércio

ECONOMIA Lojistas enfrentam alta de preços e falta de produto

E as incertezas sobre a capacidade financeira das famílias em meio à pandemia do novo coronavírus fazem deste final de ano um dos mais instáveis e imprevisíveis dos últimos tempos

A 45 dias do Natal, os lojistas brasileiros têm de lidar com um dos piores cenários para qualquer empreendedor: a instabilidade e a imprevisibilidade dos negócios.

No momento em que deveriam receber as mercadorias para vender em dois grandes eventos, a Black Friday e o Natal, os comerciantes travam discussões exaustivas com fornecedores.

O principal motivo é o aumento de preços em proporções que remetem a 2015, um ano antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando a alta do dólar chegou a 42%. Neste ano, o dólar subiu 32%. 

A falta de matérias-primas e produtos prontos é outro problema enfrentado pelo comércio, justamente quando se aproxima o melhor período de vendas do ano.

E como será este final de ano? As famílias terão renda para ir às compras? Eis outra dúvida que tem tirado o sono dos comerciantes.

“A pressão está fora do normal. A indústria apresenta reajustes absurdos, de até 50%”, afirma José Domingos Alves, superintendente da Lojas Cem.

“Não pagamos o que eles pedem, mas não compramos pelo preço que queremos.”

Os eletro-portáteis, como liquidificadores, ferros elétricos e misturadores, diz ele, são os que apresentam os maiores aumentos, seguidos por televisores, produtos de informática, móveis e colchões.

A situação se repete em todas as áreas do varejo.

Os aumentos de preços de matérias-primas utilizadas pelas confecções subiram de 10% a 40%, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Bom Retiro.

“As negociações estão muito difíceis, principalmente no caso de tecidos importados”, diz Nelson Tranquez, vice-presidente da CDL, e diretor da Loony, confecção especializada em jeans.

O preço do tecido jeans, de acordo com ele, subiu de 25% a 30% depois da pandemia.

No atacado, os preços de calças jeans da Loony custam R$ 89 e R$ 99, dependendo do modelo. Como tem tecido em estoque, diz Tranquez, dá para manter os preços.

“Vamos tentar segurar o máximo que der, até porque o consumo continua fraco.”

O fio de algodão que custava R$ 12 o quilo antes da pandemia, agora custa R$ 23. O preço da caixa de papelão subiu entre 20% e 30%.

O levantamento foi feito por Tito Bessa, presidente da Ablos, associação que reúne as lojas satélites de shoppings, e sócio-diretor da rede TNG.

“A cadeia toda está comprometida. Os preços subiram e há falta de produtos.”

ALIMENTOS

Os alimentos são disparadamente os produtos que mais tiveram aumentos de preços neste ano.

Supermercadistas e donos de padarias informam que novas listas de preços são apresentadas quase todo o mês pelos fornecedores.

Com 13 lojas, a rede Veran criou um índice interno de custos, e o número deste ano chega a ser aproximadamente o triplo do da inflação oficial do governo.

De janeiro a outubro deste ano, a inflação de custos do supermercado bateu em 12,79%. O IPCA dos últimos 12 meses terminados em outubro foi de 3,9%.

Os custos de produtos de açougue subiram 29,47% de janeiro a outubro deste ano no Veran, de frutas, legumes e verduras, 11,5% e, de padaria, 19,69%, por exemplo.

“O pior é que não vejo recuo, podendo ocorrer no caso de um ou outro produto, como aconteceu com o leite. Faz tempo que não existe uma pressão de custos como esta”, afirma Sandro Benelli, presidente do Veran.

Uma das justificativas pelos elevados reajustes é a alta de preços das commodities agrícolas no mercado internacional. A outra é a subia do dólar.

Alguns produtos que compõem o IPCA tiveram grandes elevações de preços nos últimos 12 meses terminados em outubro.

O preço do arroz subiu 60,8%, do feijão carioca rajado, 47,5%, do tomate, 40%, e do contrafilé, 57%.

No caso dos importados, alguns itens chegaram a dobrar de preço.

O presunto cru espanhol vendido na padaria Nova Charmosa, em Perdizes, por exemplo, custava R$ 99 o quilo antes da pandemia. Agora, R$ 180.

O preço do quilo da muçarela subiu de R$ 50 para R$ 70.

As listas de preços de fornecedores da padaria exibem reajustes de até 95%, como é o caso de plástico filme.

Os proprietários da Nova Charmosa também estão com dificuldade para repor alguns tipos de embalagens, além de misturas para a fabricação de produtos.

ELETROELETRÔNICOS

Apesar de o consumidor já sentir no bolso a alta de preços de eletroeletrônicos, a inflação neste grupo de produtos é menor do que a do setor de alimentos.

A alta de preços de aparelhos eletrônicos foi de 1,2% nos últimos 12 meses terminados em outubro. No caso de máquina de lavar roupa, de 3,4% e, de fogões, de 8,5%.

“Muito provavelmente, os grupos varejistas deste setor estão segurando os preços porque esses produtos não são de primeira necessidade”, afirma Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

O consumidor deverá sentir os reajustes de preços, no caso desses produtos, na medida em que os estoques das lojas forem acabando.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Para Silveira, não há dúvida que o período de Natal deste ano será chocho para os comerciantes.

E, não somente por conta da alta de preços e da falta de produtos, mas também pela indefinição em relação ao auxílio emergencial oferecido pelo governo aos mais pobres.

“Não há visibilidade no que vem pela frente. As previsões estão mais difíceis até para o curtíssimo prazo”, diz.

Os aumentos de preços, de acordo com Silveira, estão diferenciados e desproporcionais.

“E quando há incerteza em relação a preços, há incerteza em relação a volumes vendidos.”

Parte do aumento de preços de alimentos, em sua avaliação, foi sustentada pelo auxílio emergencial, que não se sabe se será estendido para 2021.

Se não houver mais injeção de recursos na economia, diz ele, é provável que a pressão sobre os preços diminua.

Com tanta incerteza no cenário macroeconômico, diz Silveira, fica difícil fazer projeções, mas, infelizmente, existe uma certeza: muitas lojas ainda devem fechar as portas até o início de 2021.

IMAGEM: Fátima Fernandes/DC

FONTE: DIÁRIO DO COMÉCIO